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E eu com isso?


Idéias desencontradas

Alguns dias atrás aconteceu uma discussão boba em meu condomínio. O motivo era sério, mas o bate-boca que surgiu por causa disso só serviu para mostrar o quanto há gente incoerente neste mundo.

A questão era de uma moradora recém mudada e que queria burlar uma regra do condomínio só porque ela se achava no direito de fazer o que bem entendesse em seu apartamento. A partir disso, muita gente deu sua opinião sobre o caso até que alguém achou tudo aquilo uma perda de tempo enquanto havia, no ver dele, assuntos muito mais importantes para serem resolvidos e que até o momento estavam sendo deixados de lado pelo síndico.  E aí veio à tona a ignorância do cidadão: ele teve a capacidade de dizer que não ia em assembléias do condomínio porque nada era resolvido e incentivou os outros moradores a fazerem o mesmo.

Geeeenteeee! Olha o raciocinio do cara! Para resolver um assunto no condomínio, precisa do apoio de 2/3 do total de apartamentos do lugar. Isso se dá através de discussão seguida de votação em assembléias. Assim, o ilustre senhor bate no peito orgulhoso que não vai em assembléias, incentiva a fazerem o mesmo, e ainda quer que os problemas sejam resolvidos? O pior é que o "esperto" teve coro de mais um morador, que também vive reclamando, é cheio de jorrar leis e opiniões soberanas sobre tudo,  mas nunca apareceu em uma reunião.

Para aumentar ainda mais a minha surpresa, conheço a empresa onde o revoltado trabalhava (numa boa empresa de TI) e imaginava que, devido ao lugar, o cara seria no mínimo qualificado. Ledo engano...

Sinceramente, uma falta de lógica deste tamanho é de afundar qualquer país. Dá para perceber o quanto as pessoas são despreparadas, não pensam antes de falar. O que querem é apenas garantir o que lhes interessam, sem pensar no coletivo, sem fazer o mínimo esforço.

É a filosofia das "vítimas" das classes sociais: nasci pobre, não tenho estudo, não tenho chance de um emprego por culpa do governo. Então fico sem fazer nada, mas é obrigação do governo me dar o bolsa família, às custas daqueles que não tem medo de trabalhar.



Escrito por Observadora às 14h34
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Logo que me mudei para o meu apartamento, tive a estranha sensação de estar num vaso de cristal. Tudo o que os outros faziam, eu ouvia. Portanto, tudo o que eu fizesse, seria ouvido pelos outros. E até hoje, piso em ovos para evitar qualquer barulho mais irritante, apesar de já morar há meses lá.

A minha maior preocupação é não ser motivo de incômodo de ninguém. Eu não suportaria ouvir uma reclamação, de saber que estou atrapalhando alguém. Na medida do possível, evito qualquer coisa que ultrapasse os limites das minhas quatro paredes, respeito regras de horários e áreas comuns. Ou seja, quero usar do meu direito sem ferir o direito de ninguém.

Porém, infelizmente, percebi que não é assim que pensam os vizinhos.

Desde que me mudei, meu vizinho ao lado arrasta móveis, carrega coisa pesada de um lado para outro. No início, imaginei: "Ah, coitado, ele só tem esse horário para pôr ordem na mudança. Vamos dar um tempo até ele se organizar.". Por mais que odiasse ouvir um guarda-roupa ser arrastado das 18:00 até 22:00, não queria ser radical e reclamar. E assim, todo dia exercitava minha compaixão, aguentando os barulhos. Nessa conduta, já se passaram meses de tolerância.

Pois numa noite de segunda-feira, cansada de ter ouvido marteladas, arrastação de móveis e quedas e mais quedas de ferramentas durante o final de semana inteiro e mais aquela noite, resolvi ligar para o porteiro, para que esse desse um toque ao vizinho que o barulho estava incomodando. Para minha surpresa, o barulho reclamado parou; mas no lugar veio uma enxurrada de conversas aos berros, cantoria, coisas sendo jogadas ao chão, além de uma obsessão do vizinho em socar algo durante a madrugada, na companhia da tv.

Pude então conhecer melhor o cidadão: uma pessoa que não respeita os vizinhos, nem regras, totalmente despreparada para viver em um condomínio (o que dizer de um apartamento), e que, mesmo estando completamente errado (já que no meu condomínio tem horário para usar martelo, montar móveis etc.), em nenhum momento colocou a mão na consciência para pensar se ELE não estava errado. Pelo contrário, agiu como uma criança: fazendo birra porque não o deixaram fazer o que queria.

Pelo menos para mim, é de causar espanto como alguém pode achar que tem razão quando está descumprindo uma regra. E como alguém escolhe morar em apartamento se não tem maturidade para viver em uma comunidade? Que exemplo esse rapaz está dando ao seu pequeno filho? Ao de que só vale a sua vontade e dane-se os outros? Ou seja, e eu com isso?, se o vizinho não gosta das minhas marteladas às 8 da noite?

É... esse é o brasileiro do Brasil economicamente crescente, que agora pode comprar sua casa própria mas esquece de investir em sua educação = evolução.

 



Escrito por Observadora às 13h36
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O porque deste blog

Há pouco tempo eu me mudei para um apartamento. Para quem cresceu em uma casa com um amplo quintal, ir morar em um espaço restrito já causou muita estranheza. Porém, em poucos meses descobri que a falta de espaço é o de menos. O que incomoda mesmo é a falta de respeito dos outros moradores.

Por mais que estivesse cansada de ver matérias em tv, jornal etc. que falassem de como é difícil a convivência em condomínios, não imaginava que o egoísmo fosse tão grande. A partir disso, foi inevitável começar a reparar em como as pessoas agem no dia-a-dia: cada um vivendo sua vida sem olhar para o outro, como se estivessemos constantemente em pé de guerra com quem cruza o nosso caminho.

Assim, este blog é uma válvula de escape, um meio de expor o que tanto me espanta no que vejo na minha rotina, tanto com o que acontece comigo quanto o que presencio. Claro que nada irá mudar, mas quem sabe, mais pessoas vivem essa mesma perplexidade e encontrem aqui um modo de compartilharem suas experiências.

 



Escrito por Observadora às 14h38
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